A indústria farmacêutica não parece estar com falta de tecnologia.
CRM, inteligência artificial, automação, plataformas de dados, novos canais digitais e modelos omnichannel já fazem parte da agenda de muitas organizações.
Os próprios projetos inscritos no Lupa de Ouro 2026 ajudam a enxergar essa mudança. Entre as iniciativas aparecem jornadas omnichannel, inteligência artificial aplicada à produção de conteúdo, IA conversacional, treinamento com IA e diferentes modelos de engagement digital.
O movimento é claro: a infraestrutura tecnológica e os casos de uso estão avançando.
A pergunta que começa a ganhar importância é outra:
as capacidades da organização estão avançando na mesma velocidade?
Mais tecnologia muda o trabalho
Implementar uma nova plataforma não significa apenas adicionar uma ferramenta ao stack.
Quando CRM evolui, muda a forma como jornadas precisam ser desenhadas.
Quando dados se tornam mais disponíveis, aumenta a necessidade de transformar informação em decisão.
Quando IA passa a apoiar conteúdo, segmentação ou recomendação, surgem novas exigências de governança, validação e supervisão.
Quando a estratégia de HCP engagement se torna omnichannel, Marketing, Dados, Tecnologia, Medical e força de vendas precisam operar com níveis maiores de integração.
Ou seja: cada nova capacidade tecnológica cria também uma nova exigência de capacidade organizacional.
É aí que muitas transformações começam a encontrar um limite.
O gap não aparece necessariamente no projeto de tecnologia
Uma implementação pode ser considerada tecnicamente bem-sucedida e, ainda assim, gerar menos valor do que poderia.
O CRM está funcionando, mas a segmentação continua pouco sofisticada.
Os dados existem, mas as decisões permanecem dependentes de análises manuais.
A automação está disponível, mas poucas jornadas realmente utilizam seu potencial.
A IA começa a ser testada, mas não existe clareza sobre onde usá-la, como validar resultados ou como incorporá-la ao workflow.
O conteúdo é produzido, mas a organização ainda tem dificuldade para entregar a mensagem certa, para o HCP certo, no contexto certo.
Nesses casos, o problema não é necessariamente tecnológico.
É um capability gap.
Capability não significa apenas treinamento
Esse ponto é importante.
Desenvolver capacidades não é simplesmente criar uma grade de cursos.
Uma capacidade existe quando pessoas, processos, dados, governança e tecnologia conseguem operar juntos de maneira consistente.
Por isso, antes de decidir que uma equipe “precisa de treinamento”, vale entender exatamente qual é o gap.
É conhecimento técnico?
É dificuldade em transformar dados em decisão?
É ausência de processo?
É falta de clareza de papéis?
É governança?
É integração entre áreas?
É baixa adoção da plataforma?
É falta de repertório para desenhar novos casos de uso?
Cada diagnóstico leva a uma intervenção diferente.
IA torna essa discussão ainda mais importante
Em 2026, a discussão de IA em Life Sciences está deixando rapidamente a fase de experimentação isolada.
A IQVIA aponta que, à medida que as organizações escalam IA, o sucesso passa a depender de sua incorporação aos workflows com clareza, consistência e governança. A Veeva também coloca pessoas e otimização de processos entre os temas centrais para os casos de IA de maior impacto na indústria.
Isso muda a pergunta.
Em vez de perguntar apenas:
“Onde podemos usar IA?”
as organizações precisam começar a perguntar:
“Estamos preparados para operar de forma diferente quando a IA estiver integrada ao trabalho?”
São perguntas distintas.
E a segunda tende a determinar o valor capturado pela primeira.
O novo indicador de maturidade
Durante muito tempo, maturidade digital foi frequentemente associada à existência de determinadas tecnologias.
Hoje isso já não é suficiente.
Uma organização pode possuir um stack sofisticado e continuar apresentando baixa maturidade na maneira como toma decisões, utiliza dados, desenha jornadas ou governa suas operações.
Por isso, uma visão mais útil de maturidade começa a observar outra relação:
Tecnologia disponível × capacidade de utilização.
Quanto maior a distância entre essas duas dimensões, maior o desperdício potencial do investimento realizado.
Antes da próxima ferramenta, uma pergunta diferente
Talvez uma das perguntas mais relevantes para líderes de Marketing, Digital, CRM e Dados em Pharma hoje seja:
Quais capacidades precisamos desenvolver para extrair mais valor da tecnologia que já temos — e das tecnologias que estamos prestes a incorporar?
Responder isso exige olhar para o ecossistema de Martech como um sistema.
Pessoas.
Processos.
Dados.
Governança.
Tecnologia.
Decisão.
Porque o ROI não está simplesmente na existência da plataforma.
Está na capacidade da organização de gerar valor com ela.
Na M.Martech, acreditamos que usar dados deve ser método, não projeto isolado — e que a evolução de Martech precisa ser acompanhada pela evolução das capacidades necessárias para operá-la.
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