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Uma das decisões mais importantes do marketing — e também uma das mais frágeis — é a definição do orçamento de mídia.
Na prática, muitos orçamentos ainda são definidos com base em:
- histórico do ano anterior,
- metas de crescimento arbitrárias,
- pressões comerciais,
- benchmarks genéricos de mercado.
O problema?
histórico não é evidência de impacto futuro.
Definir orçamento de mídia exige um modelo muito mais sofisticado, que considere incrementalidade, retorno marginal, saturação e cenários de negócio.
Este artigo apresenta um framework moderno para definir orçamento de mídia de forma científica, orientada por dados e conectada a resultado real.
1) Por que o modelo tradicional de orçamento falha
O modelo mais comum segue esta lógica:
“Gastamos X no ano passado e crescemos Y.
Logo, vamos aumentar X em 20%.”
Esse raciocínio ignora fatores críticos:
- mudanças no comportamento do consumidor,
- saturação de canais,
- canibalização entre mídias,
- efeitos macroeconômicos,
- evolução dos algoritmos.
Resultado:
mais investimento nem sempre gera mais crescimento.
2) Orçamento de mídia não é custo — é alocação de capital
Empresas maduras tratam mídia como investimento, não como despesa.
Isso muda completamente a lógica:
- cada real precisa competir com outros investimentos,
- decisões precisam ser comparáveis,
- retorno precisa ser incremental.
Orçamento de mídia vira um problema de alocação ótima de recursos.
3) O conceito-chave: retorno marginal
Retorno marginal responde à pergunta:
Quanto resultado adicional eu gero ao investir mais 1 real em um canal?
Dois canais podem ter ROAS semelhantes, mas retornos marginais completamente diferentes.
Em algum ponto, todo canal:
- satura,
- perde eficiência,
- começa a gerar retornos decrescentes.
Planejar orçamento sem olhar retorno marginal é navegar no escuro.
4) O framework moderno para definir orçamento de mídia
O modelo se baseia em 5 pilares:
4.1 Dados confiáveis e integrados
Antes de falar de orçamento, é preciso ter:
- dados de mídia consolidados,
- vendas e receita integradas,
- visão cross-channel,
- histórico suficiente.
Sem isso, qualquer modelo vira opinião sofisticada.
4.2 Modelos de mensuração adequados
Orçamento baseado em evidência exige múltiplos modelos:
- MMM → visão macro e elasticidade
- MTA → leitura tática e granular
- Incrementalidade → validação causal
Esses modelos alimentam a decisão, não competem entre si.
4.3 Curvas de resposta e saturação
Curvas de resposta mostram:
- quanto resultado cada canal gera,
- em diferentes níveis de investimento.
Elas permitem identificar:
- ponto ótimo de investimento,
- momento de saturação,
- canais sub ou superinvestidos.
Sem curvas, não existe otimização real.
4.4 Simulação de cenários
Com dados e modelos, entra a simulação:
- “E se eu reduzir 15% em Social?”
- “E se dobrar Search?”
- “Qual o impacto de incluir um novo canal?”
Simulações permitem testar decisões antes de gastar dinheiro.
4.5 Alinhamento com objetivos de negócio
O orçamento ideal depende de:
- meta de crescimento,
- margem,
- fluxo de caixa,
- horizonte de retorno.
Nem todo negócio deve maximizar conversões.
Às vezes, o foco é:
- LTV,
- market share,
- penetração,
- retenção.
5) O papel da incrementalidade na definição do orçamento
Incrementalidade ajuda a responder:
- quanto do resultado veio da mídia,
- quanto teria acontecido sem investimento,
- qual canal realmente criou demanda.
Sem incrementalidade:
orçamentos tendem a inflar canais de fundo de funil.
Com incrementalidade:
o orçamento se redistribui de forma mais eficiente.
6) Orçamento fixo vs orçamento dinâmico
Orçamentos fixos são uma limitação.
Modelos avançados adotam:
- orçamento dinâmico,
- revisões periódicas,
- realocação contínua,
- testes controlados.
Isso exige maturidade de dados e governança.
7) Erros comuns na definição de orçamento de mídia
Os mais frequentes:
- basear decisão apenas em ROAS,
- ignorar saturação,
- não considerar canibalização,
- usar benchmarks como verdade absoluta,
- definir orçamento sem testar.
Orçamento baseado em evidência é processo, não planilha.
8) Como implementar na prática (passo a passo)
Passo 1 — Consolide dados
Integre mídia, vendas, CRM e analytics.
Passo 2 — Modele elasticidade
Use MMM, testes de orçamento e incrementalidade.
Passo 3 — Crie cenários
Simule diferentes combinações de investimento.
Passo 4 — Defina guardrails
Estabeleça limites mínimos e máximos por canal.
Passo 5 — Revise continuamente
Orçamento é decisão viva, não anual.
9) O impacto organizacional dessa mudança
Empresas que adotam orçamento baseado em evidência:
- reduzem desperdício,
- ganham previsibilidade,
- aumentam confiança do board,
- conectam marketing a finanças.
Marketing deixa de ser centro de custo.
Passa a ser motor de crescimento mensurável.
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